O bebê

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“Era uma espécie de vila antiga.  Na verdade, era como inúmeras áreas rurais que ainda existem mundo a fora. Você seguia alguns tantos quilômetros, saindo da zona urbana e se direcionando ao leste da cidade. Havia então uma placa que indicava uma estrada de chão que levaria até às quatro casas que ali existiam. Haviam ali alguns animais, algumas árvores frutíferas, parreiras, um açude, etc. No meio de tudo isso, em formas simples e aconchegantes, quatro casas.

Duas casas menores, onde viviam casais de meia idade. Duas casas maiores, sendo que em uma delas vivia um casal e seus respectivos filhos, e na outra um jovem casal que esperava ansioso pela chegada do primogênito. As casas maiores possuíam, basicamente, a mesma estrutura. Além das quatro casas, havia ali também uma espécie de salão de festas, o qual mais parecia com um galpão. O salão, de dois andares, era o lugar onde as famílias normalmente se encontrava para refeições em comum, ou para juntar-se ao redor da lareira nos dias mais frios e tenebrosos do inverno.

A moça grávida ainda não sabia ao certo o sexo do bebê, e esperava ansiosa pela descoberta. Era uma moça jovem, de aproximadamente trinta anos. Os cabelos lhe caiam pelos ombros, e carregava um sorriso singelo no rosto. Adorava estar ali, em constante contato com a natureza, longe do tumulto da cidade, onde conseguia dormir tranquilamente todas as noites, exceto, é claro, aquelas em que passava sozinha, preocupada com seu respectivo marido que viajava pelas estradas do imenso país.

Se preocupava mais do com ele do que com ela própria. Homem digno de confiança, bom caráter e muito trabalhador. Possuia objetivos e força de vontade para torná-los realidade. Não gostava do fato de ter de viajar, mas sabia que era necessário para atual subsistência de sua família, que em pouco tempo receberia mais um membro. O tão esperado primeiro filho do casal.

Discutiam sobre o nome que dariam para o bebê. Discordavam certas vezes. A dúvida quanto ao sexo da criança já os ansiava e como duas crianças escolhendo doces, reviravam fontes atrás do nome perfeito caso fosse um garotinho ou uma garotinha. Bem, não importava muito na verdade, pois independente de seu gênero, seria a criança mais amada do mundo por seus pais. E amor era algo que não faltava naquele lar.

Os dias de inverno estavam próximos e as noites chegavam a cada dia mais cedo, a chuva havia refrescado ainda mais o sítio e todos recolhiam-se cedo. Aqueles dias estavam torturando a moça. As dores nas costas, a preocupação com o marido que encontrava-se longe naquele momento, e a espera do bebê que estava por chegar. Naquele fim de tarde, sentia em seu peito alguns pressentimentos e temia que o seu primeiro filho não aguardasse a chegada do pai para vir ao mundo.

E estava certa. A lua já estava no céu quando as dores do parto começaram. E foi ao nascer do sol que o pequeno bebezinho nasceu. Nunca havia sentindo alguma emoção que se comparasse àquela que tocou seu peito ao ver ali, em sua frente, uma criança tão pequena e frágil, fruto de um grande amor. Uma criança que carregava uma parte de seu coração e olhos do pai. Aqueles mesmos olhos que ela não cansava de olhar sem motivo aparente.

Chorou. Chorou pois conseguiu entender muito mais sobre o mundo ao segurar em seus braços aquilo de mais precioso que já pode ter. Não sabia ao certo o que fazer naquele momento. Só queria abraçar seu filho e ao mesmo tempo, queria correr para os braços de seu grande amor, juntar-se a ele, anunciar a chegada do pequenino que ali estava.

Depois de recuperar-se um pouco de tantos sentimentos, pegou o telefone e ligou. Ao ouvir a voz do homem do outro lado da linha, novamente não conseguiu conter a emoção, derreteu-se em lágrimas. O marido já desesperado de medo ao ouvir aquele pranto, começou a questionar-lhe sobre o que havia acontecido, se estava tudo bem com o bebê, entre outras mil perguntas que derramava sobre ela. A moça contendo o choro disse “Teu filho nasceu, e é um homem. Nosso bebezinho nasceu”.

O homem em choque, sentou-se, encheu os olhos d’agua e sorriu feito uma criança. Ao desligar o telefone, começou a juntar todas as suas coisas. Não importava-lhe o que poderia acontecer ali, tudo o que mais queria era correr para junto de sua família, era abraçar sua amada, pegar seu filho nos braços. Agitado, feliz, sem palavras. Juntou tudo que era seu, anunciou a sua paternidade e mandou-se embora.

Na casinha, lá no campo, a moça olhava o seu bebê, agora já limpinho e cheirosinho. Olhava-o sorrir de olhinhos fechados. Ao mexer em sua barriguinha, o pequeno menininho se espreguiçava e mexia-se de maneira tão confortável. Aquele ser, tão pequeno e tão amado. A mãe enchia os olhos de lágrimas novamente e não conseguia esconder a sua alegria. Agora bastava esperar pelo marido, logo, logo, todo o seu mundo estaria completo.”

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